Respirando novos ares!

Nem acredito que ontem a essa hora eu me encontrava aqui escrevendo minhas lamúrias sobre a minha mãe. Pra minha surpresa, depois de passar uma noite de cão, chorando com um grande amigo ao telefone, hoje pela manhã acordei com uma disposição que há muito não encontrava.

Acho que a história sobre ter desencanado da minha mãe realmente vingou. Hoje eu acordei sem ressentimento no coração, sem mágoa. Apenas com a certeza de que algo se perdeu entre a gente, mas que não foi só por minha culpa. Meu coração tá leve porque ontem eu disse tudo que precisava, reconheci meus erros, pedi desculpa por eles e é isso. Tô de bem comigo mesma.

Claro que ainda tô com alguns problemas com meu namorado. Ou ex-namorado, nem sei mais… O tal do e-mail que a ex dele enviou ainda tá rendendo pano pra manga e eu não estou muito disposta a perdoar isso fácil. Sabe quando fica aquela coisa engatada? Como se eu não conseguisse digerir? Poisé… É assim que tenho me sentido com relação a fulaninha lá. Só de pensar que eu ainda troquei e-mails com ela… Aff… Que arrependimento que eu sinto! Tudo porque eu quis dar uma de boa samaritana e não briguei com ninguém. Antes eu tivesse falado pra ela tudo que eu sempre quis falar. Tenho certeza que hoje eu estaria mais tranquila.

Enfim… Nem tudo sai como a gente quer. Às vezes penso que talvez tenha sido melhor assim. Meu e-mail foi objetivo, acho. Já o dela foi uma resposta infantil, sem fundamento algum, só com um bando de lorota, de conversa pra boi dormir. Desde quando eu preciso saber de toda a trajetória sentimental dela? Afff… Sinceramente… Hoje eu penso que talvez ela não seja tão madura quanto eu pensava que fosse.

Vou dormir que amanhã é só mais um longo dia de tarefas de mestrado e de comida ruim no RU. Blergh.

Vida acadêmica no Brasil: vergonhosa.

Ando me perguntando se foi certo ter entrado no mestrado. Isso já me causou tanto problema… Vivo na vida do “quase”. O projeto tá quase sendo aprovado. A bolsa tá quase saindo. No final das contas você tá mais liso que um quiabo.

Acho que o primeiro erro da minha vida foi ter largado a Odontologia. Voltando ao passado, eu teria me formado aos 22 anos, seria uma dentista rica, já teria meu carro, quem sabe já até moraria sozinha.

Mas não. A idiota resolveu largar pra fazer Ciência da Computação. Resultado? Formada aos 25 anos, mestranda e sem perspectiva alguma de futuro profissional. Quando esse mestrado acabar, a sensação que eu vou ter será a mesma que eu tive quando me formei: sou mestra, e agora?

Todo mundo fica besta de ver que quem faz Ciência da Computação, logo arruma estágio. E é verdade, se você souber ir atrás, no primeiro semestre já está recebendo bolsa. Eu tive a sorte de ser bolsista, mas, infelizmente, tive o desprazer de trabalhar em um péssimo projeto, coordenado por uma péssima professora. Moral da história: os últimos 6 meses não foram pagos. Pra não ser tão injusta, até que caiu um dinheiro aí na minha conta. Depositado de forma errada, diga-se de passagem. Agora, quase um ano depois, eles resolveram pagar e olha só o melhor da história: o que eu deveria receber será descontado daquele dinheiro que havia sido depositado por engano na minha conta :) Ora, não é difícil pra eu perceber que essa história toda tá me cheirando a mutreta (como tantas pessoas um dia tentaram me dizer, abrir meus olhos e eu, ingenuamente, não dei ouvidos).

Minha revolta não pára aí. Agora, como mestranda, eu deveria estar recebendo uma bolsa. Deveria, né? Porque essa também não tá caindo \o/ Mas não é só por isso que eu estou revoltada, antes fosse. Já estou acostumada a não receber bolsa. O problema é saber que o indivíduo, não fazendo nem um terço do que eu faço, já tá em seu segundo pagamento! Mas as tarefas, aaaah… As tarefas são passadas com a mesma carga pros dois. Mais uma coisa óbvia demais pra mim: de novo, eu pagando o pato. Trabalhando pra caralho (pra caralho mesmo!) sem receber porra nenhuma.

A vida acadêmica no Brasil me envergonha. Não só a vida acadêmica, mas todos aqueles envolvidos nela. Tenho sorte de, pelo menos, ter um orientador decente. E é por ele também que continuo me esforçando nesse mestrado fatídico. Por toda a confiança que ele depositou e deposita em mim. Por saber que eu posso ajudá-lo em suas pesquisas. E, em último lugar (minhas motivações pessoais não andam muito bem das pernas), por me satisfazer como pesquisadora. Porque amo estudar. Amo escrever. Gosto da idéia de contribuir para a educação caótica da minha universidade.

O jeito é continuar esperando por um suspiro de justiça. Se é que um dia eu ainda verei o que é isso.