Daí que eu comecei a trabalhar (na verdade, já vai fazer um ano hehehe). Finalmente larguei essa vida bandida de receber bolsa de pesquisa e fui atrás da estrada de tijolos dourados. O resultado disso é que consegui comprar celular e notebook de última geração, TV de 42 polegadas, wii, PS3 e daqui pro fim do mês compro meu carro.
Não vou negar que o início foi muito difícil, senti falta do ambiente de sacanagem e de pouco compromisso que existe na universidade. Lá a gente podia viver viajando pra congresso (pelo menos 2x no ano eu viajava e passava 10 ou 11 dias de férias, conhecendo algum lugar belíssimo do país). Mas acabei me acostumando a ser uma pessoa adulta, a ter compromissos com horário e a cumprir as metas da sprint de desenvolvimento (coisa raríssima de acontecer na universidade).
Recentemente deixei de ser terceirizada na empresa que eu trabalhava pra virar concursada. A empresa deu uma forra e demitiu todo o povo que passou no concurso e que seria efetivado. Nunca recebi tanto dinheiro na minha vida… É com esse dinheiro que vou comprar meu carro. Fico imaginando se eu tivesse na universidade ainda e dá vontade de rir, sinceramente. Lá, os projetos se acabavam num dia e no outro vc já estava fudido de grana, sem ter como pagar suas contas e sobrevivendo da ajuda de algum professor legal que se sensibilizasse com a sua história. Aviso prévio? FGTS? Isso não pertence aos pobres (e tão entusiastas) alunos de mestrado e pesquisadores. A menos, claro, que vc faça doutorado e se torne um professor adjunto, o que acaba sendo o caso de uma minoria, venhamos e convenhamos.
Eu já fui uma entusiasta da área acadêmica. Sonhava em transformar o ensino da universidade pública onde me formei. Sonhava que minha pesquisa salvaria o mundo. Hoje eu penso muito diferente. A academia fede. Os trabalhos são rasos. As soluções propostas são vapores. É tudo uma questão de trocar interesses. Ou de explorar os alunos: vc participa da banca do meu aluno que eu participo da banca do seu. Aproveitamos e fechamos um projeto juntos. Conseguimos dinheiro pra bancar nossas casas e carros legais enquanto pagamos um miserê pra um aluno coitado da graduação evoluir a pesquisa que nós abandonamos. Exigimos que nossos alunos de mestrado e doutorado façam nosso trabalho de orientar nossos alunos de graduação. Cobramos que os bestas escrevam os periódicos que nós nunca fomos capazes de escrever. E assim a vida segue na academia. Com os professores explorando os alunos para se vingarem de quando foram explorados por seus orientadores.
Pelo menos no mercado vc tem direito a 13º, férias, 8h de trabalho diário (o que significa não levar trabalho pra casa), plano de saúde, vale alimentação e superiores que respeitam seus horários e a sua atribuição.
Felizes são aqueles que, assim como eu, descobriram o seu lugar ao sol e estão mais do que felizes pelos sonhos realizados.