Respirando novos ares!

Nem acredito que ontem a essa hora eu me encontrava aqui escrevendo minhas lamúrias sobre a minha mãe. Pra minha surpresa, depois de passar uma noite de cão, chorando com um grande amigo ao telefone, hoje pela manhã acordei com uma disposição que há muito não encontrava.

Acho que a história sobre ter desencanado da minha mãe realmente vingou. Hoje eu acordei sem ressentimento no coração, sem mágoa. Apenas com a certeza de que algo se perdeu entre a gente, mas que não foi só por minha culpa. Meu coração tá leve porque ontem eu disse tudo que precisava, reconheci meus erros, pedi desculpa por eles e é isso. Tô de bem comigo mesma.

Claro que ainda tô com alguns problemas com meu namorado. Ou ex-namorado, nem sei mais… O tal do e-mail que a ex dele enviou ainda tá rendendo pano pra manga e eu não estou muito disposta a perdoar isso fácil. Sabe quando fica aquela coisa engatada? Como se eu não conseguisse digerir? Poisé… É assim que tenho me sentido com relação a fulaninha lá. Só de pensar que eu ainda troquei e-mails com ela… Aff… Que arrependimento que eu sinto! Tudo porque eu quis dar uma de boa samaritana e não briguei com ninguém. Antes eu tivesse falado pra ela tudo que eu sempre quis falar. Tenho certeza que hoje eu estaria mais tranquila.

Enfim… Nem tudo sai como a gente quer. Às vezes penso que talvez tenha sido melhor assim. Meu e-mail foi objetivo, acho. Já o dela foi uma resposta infantil, sem fundamento algum, só com um bando de lorota, de conversa pra boi dormir. Desde quando eu preciso saber de toda a trajetória sentimental dela? Afff… Sinceramente… Hoje eu penso que talvez ela não seja tão madura quanto eu pensava que fosse.

Vou dormir que amanhã é só mais um longo dia de tarefas de mestrado e de comida ruim no RU. Blergh.

Eu x Ela

Hoje perdi minha mãe. Depois de um ano turbulento, com muitas discussões aparentemente sem fundamento, hoje eu perdi minha mãe.

É um vazio horrível. É pior do que o vazio que qualquer namorado meu já tenha me causado. Acho que vai ser difícil acordar todos os dias com a sensação de que a pessoa com quem vc sempre pôde contar na vida se foi. Já não está mais ali pra te apoiar (embora nunca tenha te apoiado). Já não está mais ali por ti.

Tudo aconteceu por motivos que eu nem entendo bem. Por coisas que aconteceram há mais de cinco anos atrás e que nunca foram discutidas. Pra mim não tinha nada de errado naquela época em relação ao que ela me disse… Parece-me tão óbvio que quem deveria me procurar era ela e não eu. Como eu saberia que ela tinha diferenças comigo? Adivinhando? :(

Sabe, minha mãe é muito cabeça-dura. E insensível. Ela nunca me disse “eu te amo”. Nunca fez cafuné em mim. Não me levou no ginecologista quando eu menstruei. Nunca teve conversas de namoradinhos comigo. Lembro bem uma situação que aconteceu quando eu tinha 15 anos. Eu tive alguma briguinha boba com meu primeiro namoradinho (que provavelmente era o apocalipse pra mim!) e minha mãe me pegou chorando por ele. Quanta esculhambação eu peguei! Lembro-me do corredor escuro e eu ali chorando na frente do quarto dela enquanto ela batia a porta na minha cara. E o único que eu dizia era “mãe, eu só preciso de alguém pra conversar…”

Triste, né?

No dia do meu baile de formatura, ela brigou comigo. Tudo porque eu tava tão nervosa com o baile que acabei entrando no carro da minha tia com a chave do carro dela. Bolsa de formatura é tudo pequena né? Mal cabe o celular dentro. E aí, quando eu me dei conta de que tava com a chave dela, e a avisei, ela começou a me esculhambar, dizendo que eu não prestava atenção em nada e que agora a bolsa dela ia ficar toda espichada e que a chave não cabia lá… Lembro-me vagamente da minha tia, já na metade da viagem – minha mãe reclamava incessantemente – dizendo: Ei menina, deixa de fazer tempestade em copo d’água! Coloca aqui na minha bolsa e pára de reclamar ;) Enquanto eu ia lá atrás, me esforçando pra não chorar e borrar a maquiagem…

Definitivamente, muito triste.

A minha vontade é sair de casa, mas eu não posso. Infelizmente, tô fazendo esse mestrado que até agora não me rendeu fruto nenhum. Às vezes eu me estresso muito por estar fazendo mestrado. Dá vontade de largar e tudo mais. Não é que eu não goste. Amo estudar. Amo a pesquisa. Sinto que tenho muito a adicionar à comunidade acadêmica do Brasil. Além do mais, tenho muito respeito pelo meu orientador e sou ciente de toda a confiança que ele depositou em mim. Mas assim não dá. Sem o apoio dela é foda. Só de pensar que mês que vem eu vou parar de receber minha bolsa de mestrado… Tenho até calafrios! Porque isso significa voltar a depender do dinheiro do meu pai e consequentemente pagar as contas que tenho com ela com alguma dificuldade.

Mas hoje todas as cartas foram colocadas na mesa. Eu chorei e ela ficou indiferente aos meus sentimentos. Eu esperei um gesto que me confortasse, mas não aconteceu. Hoje eu descobri que a mulher que me deu à luz é a frieza em pessoa. Não tem sentimentos. E, pelo visto, vive a vida de forma indiferente a mim.

É triste viver aqui. Às vezes sinto que sou um estorvo. É como se eu incomodasse pelo simples fato de morar na minha própria casa. A partir de hoje, viver se tornou um pouquinho doloroso pra mim.

Eu sei que vou sentir sua falta pro resto da vida. Mas infelizmente, mãe, quem escolheu assim foi vc.

Que grande pecado eu cometi contigo, mãe? Convença-me de que eu sou uma filha má de verdade. Convença-me! Convença-me de que eu só te causo desgosto? Não desconsidere todas as alegrias que eu já te proporcionei!

Um dia vc verá o quanto foi imatura e egoísta. E nesse dia vc vai se encontrar sozinha na vida. Sem seus filhos, distante de seus netos, acompanhada talvez apenas de um cara que sequer será seu namorado. Ele não passará do que é hoje: um simples amante.

Nesse dia, mãe, eu ainda estarei aqui. De braços abertos. Porque meu amor por ti foi, é e sempre será incondicional.

Eu te amo pra sempre, embora esteja me afastando de ti a partir de hoje.